Divindades são, tecnicamente, imagens arquetípicas e não arquétipos. Basicamente isso quer dizer que se o arquétipo é, em si, incognoscível – incapaz de se completamente elaborado, entendido e delimitado pelo pensamento humano – ele deve ser abarcado, constante e eternamente, através do estudo das formas pelas quais ele se expressa na cultura humana: através dos mitos. O mito é a expressão cronologicamente datada e geograficamente localizada de um princípio universal, o arquétipo.
Tentativas de se controlar, constranger ou delimitar o mito, como tentativas de “ativar” ou “desativar” um arquétipo são absurdos que apenas servem para o mercado das falsas soluções fáceis que abundam no meio digital. Sim, quem te vende “ativação” de arquétipo está te vendendo a habilidade de controlar, por exemplo, a gravitação universal, a natureza da luz, o funcionamento da flora no seu intestino. É uma pretensão de controle que bem serve às expectativas do ego e de seu complexo de poder, mas só serve a isso: inflação narcísica em troca de perda financeira.
Entender um mito, compreender uma divindade, implica em correr atrás do máximo de histórias, referências, ideias que se tenham aglutinado sobre ela com o passar dos anos. Entender o mito é entender o que a ele se “adere” por um tempo e o que dele é retirado ao longo dos tempos. Quando sabemos que existem várias versões de um mito, mas apenas uma versão dele é reforçada por um motivo qualquer na nossa sociedade, vemos que aquilo que há no mito está reverberando com o que há na sociedade e é assim que na interpretação dos mitos encontramos um grande psicodiagnóstico para as mazelas de todos os povos.
Mitos não são, eles estão. Em fluxo contínuo o mito se move de um ponto a outro, estabelecendo os nexos, os elos entre o que fomos, o que estamos sendo e o que seremos. Por isso, quem sabe mito se sabe mais!
Deixe um comentário